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01-04-15
Categoria: Destaques


ABRIL: MÊS ORPHEU

por Clara Riso

 

A programação da CFP para Abril é especialmente dedicada à celebração e evocação de Orpheu - revista e grupo. Passam 100 anos sobre a publicação de um conjunto de textos cujos autores assinam, colectivamente, um novo modo – disruptor, provocador – de fazer e pensar a literatura em relação com as outras artes.

 

A recém-inaugurada exposição de Pedro Proença, Os Testamentos de Orpheu, ocupa a Casa Fernando Pessoa com uma revisita ao espírito e traço de Orpheu feita por um artista que repetidamente tem trabalhado sobre a intersecção das artes e dos textos literários.

 

A programação Orpheu estende-se para fora de portas, através de uma proposta transversal de criação artística, ao propor um regresso aos cafés como ponto de encontro e discussão sobre o lugar da literatura e da arte, como lugar de criação. O roteiro do Café Orpheu, aberto em Maio, atravessa a colina e leva ao Chiado, ao longo de todo o mês, criadores de diferentes áreas artísticas que experimentam agora, em tempo real – trabalho em curso – diferentes aproximações aos discursos e propostas de Orpheu na medida em que se relacionam com as suas linhas de trabalho, inquietações próprias.

 

A palavra de Orpheu é celebrada também pela programação regular da CFP: a segunda sessão do ciclo de leituras iniciado este ano, Sem casas não haveria ruas, uma parceria com a FJS e a BOCA, invoca Eles, os de Orpheu com um conjunto de textos que chegam dos dois volumes publicados de Orfeu bem como do terceiro, preparado e adiado. O já habitual debate Os Espaços em Volta, de Inês Fonseca Santos e Filipa Leal, recupera para Abril o tema do Manifesto, desdobrando-o em diferentes acepções. Um novo ciclo é aberto este mês, para continuar em Maio: O que é ser moderno hoje? é um conjunto de mesas-redondas orientadas por António Carlos Cortez e Luís Ricardo Duarte que pretende alargar o debate sobre a modernidade poética e perguntar de que forma, 100 anos depois de Orpheu, a modernidade é pensada e o que pode ser considerado inovação, ruptura ou vanguarda. As mesas-redondas irão ter lugar na CFP e no Martinho da Arcada alternadamente, contribuindo assim para a comunicação entre diferentes pontos e públicos da cidade.

 

Programa mensal desde Outubro, Poetas do Mar e Mundo partilha em Abril a poesia de São Tomé e Príncipe.

 

No programa de lançamentos e apresentações de livros, a Casa Fernando Pessoa recebe 1915 - O ano do Orpheu - conjunto de ensaios de diferentes autores, organizado por Steffen Dix para a Tinta-da-china. Será também apresentado este mês o volume de contos de Fernando Pessoa A Estrada do Esquecimento e outros contos, uma edição da Assírio & Alvim com organização de Ana Maria Freitas que dá a ler 20 contos inéditos.

 

Em Abril continua a consolidar-se o trabalho de serviço educativo em próxima articulação com o motivo do mês: continuam as visitas-temáticas, uma proposta CFP para uma visita-experiência ao nosso espaço com especial enfoque num determinado tema: Almada em Pessoa é uma visita em torno da relação entre estes dois nomes do grupo de Orpheu, um novo olhar sobre o Retrato que Almada fez de Pessoa e do segundo número da celebrada revista. Orpheu Tipográfico é, por sua vez, uma oficina para crianças que o Homem do Saco traz à Casa Fernando Pessoa: através da composição tipográfica com caracteres móveis, as crianças fazem e imprimem o seu próprio cartaz, na linha da revista modernista.

 

O mês abre com a exibição de (O vento lá fora), documentário brasileiro realizado em 2014 por Marcio Debellian, encontro de Maria Bethânia e Cleonice Berardinelli - professora emérita da UFRJ e da PUC-Rio, especialista maior de Fernando Pessoa no Brasil - em torno da poesia de Pessoa. A mostra informal do filme, no dia 1, conta com a presença do realizador.

 

Abril passa a ser também de Herberto Helder: celebra o longo poema contínuo que fica. Encantatório, irrepetível.

E a vertigem profunda desse poema.

 

 








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