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A seguinte cronologia, publicada in Fernando Pessoa, Escritos Autobiográficos, Automáticos e de Reflexão Pessoal (Assírio & Alvim, 2003), foi elaborada por Richard Zenith e corrigida por ele, para inclusão no nosso site. A referida edição inclui notas que esclarecem a proveniência das informações.

 

1813

13 de Fevereiro: Nasce, em Tavira, Joaquim António de Araújo Pessoa, avô paterno de Fernando Pessoa. Liberal, foge para o Porto, onde, em 1833, se alista na infantaria. Faz a campanha do cerco do Porto, persegue o «Remexido» na guerrilha da serra algarvia, participa ainda noutros conflitos e estabelece-se, finalmente, em Lisboa. Morre general, muito condecorado e estimado pela sua bravura e capacidade.

 
1823

17 de Junho: Nasce, em Lisboa, Dionísia Rosa Estrela de Seabra, a avó paterna de Pessoa.

1825

18 de Abril: Nasce, em Lisboa, Manuel Gualdino da Cunha, futuro marido da tia-avó Maria Xavier Pinheiro. Oficial da Armada que veio a ocupar lugares de relevo na Direcção-Geral dos Caminhos-de-Ferro, apoiou a revolução de Outubro de 1846 e tornou-se militante do Partido Progressista. No seu funeral esteve presente José Luciano de Castro, um dos líderes do Partido e então presidente do Conselho.


1828

10 de Agosto: Nasce, em Velas, ilha de São Jorge, Rita Emília Xavier Pinheiro, a mais velha das quatro tias-avós maternas de Pessoa. Nunca casou.


1830

11 de Agosto: Nasce, na Calheta, ilha de São Jorge, Maria Xavier Pinheiro, a tia-avó mais ligada a Pessoa, que a caracterizou como um «tipo de “mulher culta” do século XVIII, céptica em religião, aristocrática e monárquica e não admitindo no povo o cepticismo». Detentora de «dotes literários», era um «espírito varonil sem medos e pouca ternura feminina». Casa, um pouco tardiamente, com Manuel Gualdino da Cunha, não tendo tido filhos.


1832

29 de Dezembro: Nasce, em Angra do Heroísmo, ilha Terceira, o avô materno, Luís António Nogueira. Licenciado em direito pela Universidade de Coimbra, ocupa diversos cargos no Estado português, entrando mais tarde no Ministério do Reino como Director-geral da Administração Civil e Política e chegando a ser Conselheiro do Estado.


1836

14 de Junho: Nasce, em Velas, ilha de São Jorge, a avó materna, Madalena Xavier Pinheiro.


1840

24 de Abril: Nasce, na ilha Terceira, António Maria Silvano, primo (e futuro marido) da tia-avó Carolina. Filho de um general, chegará também a general, reformando-se em 1897.


1843

22 de Abril: Nasce em Angra do Heroísmo, ilha Terceira, a tia-avó Carolina (Xavier Pinheiro), que se casará com António Maria Silvano em 1866. O casal terá quatro filhos: Carolina Adelaide Pinheiro Silvano, António Pinheiro Silvano, Joaquim Silvano e Júlio Maria Silvano.

1844

13 de Fevereiro: Casamento dos avós paternos.


1845

Nasce, em Tavira, Lisbela da Cruz Pessoa, prima direita do pai de Pessoa. Enviuvará cedo de um oficial chamado Romão Aurélio da Cruz Machado (1849-1873), sem que o casal tenha tido filhos.

9 de Outubro: Nasce em Angra do Heroísmo, ilha Terceira, a tia-avó Adelaide (Xavier Pinheiro), que casará com Joaquim de Andrade Neves, médico cirurgião da Madeira. Terão três filhos: Jaime de Andrade Neves, Laurinda Pinheiro Neves e Joaquim de Andrade Neves.


1850

28 de Maio: Nasce, em Lisboa, Joaquim de Seabra Pessoa, pai de Fernando Pessoa. Empregado no Ministério de Justiça e redactor, à noite, do Diário de Notícias, com uma extensa colaboração como crítico musical, entre 1876 e 1892.
1 de Dezembro: Nasce Henrique dos Santos Rosa, irmão do padrasto. Militar reformado em 1903 com o grau de general de brigada, também era um poeta de vasta cultura. Exercerá grande influência — literária e política (pelas suas convicções antimonárquicas) — sobre Pessoa, com quem desenvolve estreita amizade após este último ter regressado a Lisboa em 1905.


1857

29 de Setembro: Nasce, em Lisboa, João Miguel dos Santos Rosa, padrasto de Pessoa. Alista-se na Marinha em 1871.


1859

24 de Abril: Casamento dos avós maternos.


1860

19 de Março: Nasce Ana Luísa Pinheiro Nogueira, a tia Anica, única irmã da mãe de Pessoa. Casa-se em 1889 com João Nogueira de Freitas (1865-1904), engenheiro agrónomo.


1861

30 de Dezembro: Nasce, em Angra do Heroísmo (Ilha Terceira), Maria Madalena Pinheiro Nogueira, mãe de Pessoa.


1865

Abril: A mãe vem viver para o continente, depois de seu pai, Luís António Nogueira, ter sido nomeado Secretário-Geral do Governo Civil do Porto. Criada no Porto e em Lisboa, não voltará a viver nos Açores.


1866

22 de Novembro: Nasce Jaime Pinheiro de Andrade Neves, filho da tia-avó Adelaide e de Joaquim de Andrade Neves. Ainda criança, vem viver para Lisboa, onde exercerá medicina durante muitos anos, depois de obter a respectiva licenciatura na Faculdade de Medicina de Paris. Morre, em Lisboa, em 1955.


1871

28 de Junho: Nasce António Pinheiro Silvano, filho da tia-avó Carolina e de António Maria Silvano. Seguirá uma carreira na Armada. Morre, em Lisboa, em 1936.


1884

28 de Junho: Morre o avô materno de Pessoa.


1885

6 de Agosto: Morre o avô paterno.


1887

5 de Setembro: Os pais de Pessoa casam-se, em Lisboa.

19 de Setembro: «Nasce» às 16h05, no Porto, Ricardo Reis.


1888

13 de Junho: Nasce Fernando António Nogueira Pessoa no Largo de S. Carlos, 4, 4.º esq., freguesia dos Mártires, numa quarta-feira às 15h20. Alexander Search terá «nascido» supostamente no mesmo dia, em Lisboa.


1889

16 de Abril: «Nasce» às 13h45, em Lisboa, Alberto Caeiro.


1890

15 de Outubro: «Nasce» às 13h30, em Tavira, Álvaro de Campos (a sua data de nascimento fora inicialmente fixada em 13 de Outubro, conforme consta de alguns horóscopos que Pessoa elaborou para este heterónimo).


1891

24 de Fevereiro: Nasce, na Ilha Terceira, Mário Nogueira de Freitas, filho da tia Anica e primo direito de Pessoa.


1893

21 de Janeiro: Nasce Jorge, o irmão de Pessoa.

2 de Abril: Nasce Maria, filha da tia Anica e prima direita de Pessoa.

10 de Julho: A família da tia Anica (com quem vivia a avó Madalena) volta à Terceira, depois de alguns anos passados no continente.

13 de Julho: Morre o pai de Pessoa, vítima de tuberculose.

15 de Novembro: A família — a mãe, Fernando, o irmão, a avó Dionísia e duas criadas — muda-se para a Rua de S. Marçal, 104, 3.º.


1894

2 de Janeiro: Morre o irmão Jorge. Neste mesmo mês mãe conhece o seu segundo marido, João Miguel Rosa.

27 de Dezembro: A avó materna de Pessoa, Madalena Xavier Pinheiro, vem de Angra para Lisboa a fim de fazer companhia à sua filha viúva.


1895

26 de Julho: Compõe os seus primeiros versos, uma quadra intitulada «À minha querida mamã».

30 de Dezembro: A mãe casa-se, por procuração, com o comandante João Miguel Rosa, que está em Durban, tendo sido nomeado cônsul de Portugal em Outubro. O marido é representado pelo irmão, Henrique Rosa.


1896

5 de Janeiro: A avó materna regressa definitivamente à Terceira.

20 de Janeiro: Pessoa e a mãe, acompanhados pelo tio Manuel Gualdino da Cunha, partem de Lisboa rumo à Madeira, onde, no dia 31, embarcam no Hawarden Castle para Durban.

Março: Pessoa ingressa na St. Joseph’s Convent School, um colégio de freiras irlandesas e francesas, onde vai fazer, em três anos, o equivalente a cinco anos lectivos.

27 de Novembro: Nasce Henriqueta Madalena, primeira filha do segundo casamento da mãe de Pessoa. Conhecida como Teca.


1898

25 de Janeiro: Morre, em Pedrouços, o tio Manuel Gualdino da Cunha.

5 de Outubro: Morre, em Angra do Heroísmo, a avó materna.

22 de Outubro: Nasce Madalena Henriqueta, segunda filha de Madalena Nogueira e de João Miguel Rosa.


1899

7 de Abril: Pessoa ingressa na Durban High School.


1900

11 de Janeiro: Nasce Luís Miguel, terceiro filho de Madalena Nogueira e de João Miguel Rosa. Conhecido como Lhi.
14 de Junho: Nasce, em Lisboa, Ofélia Queiroz, futura e única namorada de Pessoa.

1901

12 de Maio: Escreve “Separated from thee”, o seu poema mais antigo que conhecemos.

Junho: Obtém, mediante exame, o «First Class School Higher Certificate» da Universidade do Cabo da Boa Esperança, depois de ter feito três anos lectivos em pouco mais de dois anos. Fica classificado no 48.º lugar entre 673 candidatos.

25 de Junho: Morre a meia-irmã Madalena Henriqueta.

1 de Agosto: Viaja com a família para Lisboa, num vapor que passa por Lourenço Marques, Zanzibar, Dar-es-Salam, Port Said e Nápoles.

13 de Setembro: A família, chegada a Lisboa, vai instalar-se num andar alugado, na Rua de Pedrouços, 45, r/c, perto da Quinta do Duque do Cadaval, também em Pedrouços, onde moram as tias-avós Maria e Rita e a avó Dionísia. Outubro(?): Vai a Tavira, com a família, visitar a «tia» Lisbela Pessoa Machado (prima do falecido pai) e outros parentes do lado paterno.


1902

2 de Maio: Pessoa, com a família, embarca para a Ilha Terceira, ficando 9 dias (7 a 16 de Maio) na casa da tia Anica, do tio João e dos primos Mário e Maria. Pessoa elabora três números de um jornal de brincadeira, A Palavra, com o poema «Quando Ela Passa» (assinado por «Dr. Pancrácio»), charadas e a história de um naufrágio provocado por um ciclone, presumivelmente inspirada pelo mau tempo que assolou os Açores nessa altura; o primo Mário aparece designado como «Redactor». A família de Pessoa antecipa o seu regresso ao continente devido a uma epidemia de meningite cérebro-espinal.

20 de Maio: De novo em Lisboa, a família vai morar para uma casa situada na Avenida D. Carlos I, 109, 3.º-esq., em Santos.

26 de Junho: A mãe e o padrasto embarcam para Durban, com os filhos. Pessoa permanece em Lisboa.

18 de Julho: O seu primeiro poema publicado, «Quando a dor me amargurar», datado de 31/3/1902, sai em O Imparcial.

19 de Setembro: Embarca, sozinho, para Durban, no Herzog, que faz carreira pelo Cabo. Outubro: Em Durban ingressa na Commercial School, que funciona à noite.


1903

17 de Janeiro: Nasce João Maria, quarto filho de Madalena Nogueira e João Miguel Rosa. Novembro: Faz o «Matriculation Examination» da Universidade do Cabo (instituição que, nessa altura, administrava exames mas não cursos). Ganha o Prémio Rainha Vitória, para o melhor ensaio em inglês do exame. Havia 899 candidatos.


1904

Fevereiro: Matricula-se novamente na Durban High School, onde faz o seu primeiro ano de estudos universitários.

9 de Julho: Publica, em The Natal Mercury, um poema satírico assinado por C. R. Anon. Poeta e prosador em inglês, trata-se do primeiro heterónimo com uma obra extensa.

16 de Agosto: Nasce Maria Clara, quinta filha de Maria Madalena Nogueira e João Miguel Rosa.

16 de Dezembro: Faz o «Intermediate Examination in Arts» da Universidade do Cabo, sendo colocado na «Second Class» e obtendo a classificação mais elevada do Natal. Abandona a High School.
 

1905

20 de Agosto: Pessoa embarca no Herzog com destino a Lisboa, viajando pelo lado ocidental de África.

5 de Setembro: A tia Anica, que enviuvara em 1904, instala-se com os filhos em Lisboa.

14 de Setembro: Chegado a Lisboa, Pessoa fica uns dias em Pedrouços, na casa da tia Maria (onde moram também a tia Rita e a avó Dionísia), passando depois para a casa da tia Anica, na Rua de S. Bento, 98, 2.º-esq., onde viverá durante um ano.

2 de Outubro: Começa a frequentar o Curso Superior de Letras em Lisboa.


1906

Surge o heterónimo Alexander Search. Pessoa atribuiu-lhe, retroactivamente, vários poemas e fragmentos poéticos datados de 1904-1906, que tinham sido inicialmente assinados por C. R. Anon.

Maio-Agosto: Doente durante este período, falta aos exames do Curso, que se realizam em Julho.

Setembro (finais): Matricula-se novamente no primeiro ano do Curso. Empenha-se, sobretudo, na cadeira de Filosofia.

Outubro (inícios): A família chega de Durban para umas longas férias, ficando na Calçada da Estrela, 100, 1.º, para onde se muda Pessoa.

11 de Dezembro: Morre, em Lisboa, a meia-irmã Maria Clara.


1907

Surgem vários alter-egos que escrevem em várias línguas: Faustino Antunes e Pantaleão (em português), Charles James Search e o Friar Maurice (em inglês) e Jean Seul (em francês).

Abril: Uma greve académica, que eclodiu na Universidade de Coimbra, paralisa o Curso Superior de Letras.

Maio: Depois do regresso da família a Durban, Pessoa vai viver na Rua da Bela Vista à Lapa, 17, 1.º, na casa da tia Maria, onde também moram a tia Rita e a avó Dionísia.

10 de Maio: João Franco, apoiado pelo rei Dom Carlos, dissolve as Cortes e instaura a ditadura.

Junho(?): Pessoa abandona o Curso Superior de Letras.

6 de Setembro: Morre Dionísia de Seabra Pessoa. Fernando é o seu único herdeiro.
Setembro: Despede-se de R. G. Dun, uma agência internacional de informações comerciais (integrada na actual Dun & Bradstreet), onde trabalhara por alguns meses como estagiário.

 

1908

1 de Fevereiro: Dom Carlos I é assassinado. Manuel II sobe ao trono.
Final do outono: Publica, no Novo Almanaque de Lembranças Luso-Brasileiro para o Ano de 1909, uma charada em forma de poema epistolar, assinado por Gaudêncio Nabos, um heterónimo humorista.

14 de Dezembro: Primeiro fragmento datado do Fausto. um drama em verso inspirado no de Goethe.


1909
Surgem novas personalidades fictícias: Joaquim Moura Costa, Vicente Guedes, Carlos Otto

Agosto: Vai a Portalegre comprar máquinas para a Empresa Íbis — Tipográfica e Editora, que fundará alguns meses depois em Lisboa, na Rua da Conceição da Glória, 38, 4.º.

Novembro: Muda-se de casa das tias para a Rua da Glória, 4, r/c.
Final de Outono: Volta a publicar, sob o nome de Gaudêncio Nabos, uma charada-poema no Novo Almanaque de Lembranças Luso-Brasileiro para o Ano de 1910.


1910

A Empresa Íbis é extinta, sem ter publicado nenhum livro, apenas impressos, cartões e envelopes.

5 de Outubro: Proclamação da República.


1911

Pessoa muda-se (possivelmente já em finais de 1910) para o Largo do Carmo, 18-20, 1.º. Funcionam na mesma morada, e desde finais de 1910, a Agência Internacional de Minas, cujo director é Mário Nogueira de Freitas, e a Garantia Social, uma «Agência da Negócios Indeterminados». Pessoa terá colaborado nas duas empresas.

Maio(?): Começa a traduzir obras inglesas e espanholas para português, destinadas à Biblioteca Internacional de Obras Célebres, que será publicada em 24 volumes por volta de 1912.

Junho: Passa a viver com a tia Anica, na Rua Passos Manuel, 24, 3.º-esq.

12 de Setembro: Em Durban, a família muda-se para Pretória, onde João Miguel Rosa fora nomeado cônsul-geral de Portugal.

21 de Setembro: Morre a tia-avó Maria em casa da tia Anica, Rua Passos Manuel.


1912

Abril: Publica, na revista A Águia, do Porto, o seu primeiro artigo de crítica, «A Nova Poesia Portuguesa Sociologicamente Considerada». Publicará outros artigos na mesma revista, ainda em 1912 e 1913.

13 de Outubro: O seu melhor amigo, Mário de Sá-Carneiro (1890-1916), parte para Paris, o que dá início a uma assídua correspondência entre ele e Pessoa.


1913

Março: Escreve pelo menos algumas estrofes de Epithalamium, poema datado de 1913.

1 de Março: Começa a sua colaboração em Teatro: revista de crítica, que conhecerá quatro números. O seu director, Boavida Portugal, funda, em Novembro do mesmo ano, uma revista parecida, Teatro: jornal de arte, onde Pessoa também colaborará.

14 de Outubro: Morre, em Lisboa, António Maria Silvano, marido da tia-avó Carolina.
Agosto: Publica, em A Águia, «Na Floresta do Alheamento», identificado como «Do Livro do Desassossego, em preparação» e assinado pelo seu próprio nome.


1914

Fevereiro: Publica, em A Renascença, os seus primeiros poemas de adulto, «Ó sino da minha aldeia» e «Pauis de roçarem ânsias pela minh’alma em ouro», sob o título geral «Impressões do Crepúsculo».

4 de Março: Primeiro poema datado de Alberto Caeiro.

Abril: Muda-se, com a tia Anica e a sua filha, para a Rua Pascoal de Melo, 119, 3.º-dto.

Junho: Surge Álvaro de Campos, com a escrita da «Ode Triunfal» (publicada em Orpheu 1).

12 de Junho: Primeiras odes datadas de Ricardo Reis.

Novembro: A tia Anica parte para a Suíça com a filha Maria e o genro Raul Soares da Costa, um engenheiro naval. Viverão depois em Itália, regressando a Lisboa por volta de 1924. A tia Anica morre em 1940.

Novembro(?): Pessoa muda-se para a Rua de D. Estefânia, 127, r/c-dto., alugando um quarto em casa de uma engomadeira.


1915

Primeira referência concreta ao heterónimo António Mora (que surgiu, possivelmente, já em 1914), concebido como um «continuador filosófico» de Alberto Caeiro. «Morte» de Alberto Caeiro.

24 de Março: Sai Orpheu 1, que inclui o «drama estático» O Marinheiro e, de Álvaro de Campos, «Opiário» e «Ode Triunfal».

4 de Abril: Pessoa inicia uma breve mas intensa colaboração em O Jornal, onde publicará, até dia 21 de Abril, dez textos, seis deles na rubrica «Crónica da vida que passa...».

6 de Maio: Começa a escrever Antinous, poema datado de 1915.

13 de Maio: Publica «O Preconceito da Ordem» no único número de Eh real!, um panfleto declaradamente contra a ditadura de Pimenta de Castro (no poder desde Janeiro).

14 de Maio: Uma revolução em Lisboa derruba o governo de Pimenta de Castro.

Junho (finais): Sai Orpheu 2, com os seis poemas interseccionistas de «Chuva Oblíqua» e a «Ode Marítima» de Campos.

6 de Julho: Uma carta dirigida a A Capital, em que «Álvaro de Campos» graceja sobre um acidente de eléctrico que deixou o político Afonso Costa gravemente ferido, provoca indignação, mesmo entre vários camaradas do Orpheu.

Setembro: Entrega a primeira de seis traduções (publicadas em 1915-16) de obras de teosofia, escritas por figuras como C.W. Leadbeater e Helena Blavatsky.

Novembro: A mãe, ainda em Pretória, sofre uma trombose cerebral, ficando paralítica do lado esquerdo.

Dezembro: Surge a personalidade literária Rafael Baldaia, um astrólogo de barbas longas.

 

1916

14 de Fevereiro: Morre a tia-avó Rita em Lisboa, em casa da tia-avó Carolina.

Março: Início, em Pessoa, do fenómeno de escrita automática ou mediúnica.

9 de Março: A Alemanha declara guerra a Portugal 26 de Abril: Mário de Sá-Carneiro suicida-se em Paris.

Maio(?): Pessoa muda-se para a Rua Antero de Quental.

Agosto-Setembro(?): Mora num quarto contíguo à Leitaria Alentejana, Rua Almirante Barroso, 12.

Setembro: Resolve tirar o circunflexo do apelido, que até então escrevia «Pessôa». Publica, em Terra Nossa, o poema «A Ceifeira», de que será publicada outra versão no terceiro número da Athena.

Outubro: Aluga quartos em casa de Manuel A. Sengo, na Rua Cidade da Horta, 58, 1.º-dto.


1917

12 de Maio: Decide-se o conteúdo definitivo de Orpheu 3, que chega a ser quase totalmente impresso em Julho mas que não sairá em vida de Pessoa.
12 de Maio: Envia The Mad Fiddler, um livro de poemas, a uma editora inglesa, Constable & Company Ltd., que recusa a sua publicação numa carta datada de 6 de Junho.

Julho-Agosto: Cria-se a firma de comissões F. A. Pessoa, situada na Rua de S. Julião, 41, 3.º. São sócios desta empresa Pessoa, Augusto Ferreira Gomes e o Eng.º Geraldo Coelho de Jesus.

Outubro ou Novembro: Pessoa muda-se para a Rua Bernardim Ribeiro, 17, 1.º. Publicação de o Ultimatum de Álvaro de Campos no único número da revista Portugal Futurista, apreendida pela polícia em Novembro.

Dezembro: A firma F. A. Pessoa muda-se para a Rua do Ouro, 87, 2.º.

5 de Dezembro: Sidónio Pais chefia um golpe de Estado que instaura uma ditadura.

 

1918

29 de Abril: Morre Santa Rita Pintor, artista “futurista” que colaborava em Orpheu.

1 de Maio: Extingue-se a firma F. A. Pessoa.

Julho: Pessoa publica, à sua custa, Antinous e 35 Sonnets. Envia exemplares a vários jornais britânicos, onde sairão recensões, geralmente favoráveis embora com algumas reservas.

13 de Outubro: Publica, no diário lisboeta O Tempo, um artigo intitulado «Falência?», em que contraria a noção de que faliu a República enquanto sistema governativo. A uma réplica não assinada, «Lógica... Futurista», publicada o dia seguinte no Diário Nacional, Pessoa escreverá, em O Tempo do dia 17, uma contra-réplica, «Falta de lógica... Passadista».

Novembro ou Dezembro: Muda-se para uma casa mobilada na Rua de Santo António dos Capuchos.

14 de Dezembro: Sidónio Pais é assassinado.


1919

19 de Janeiro: A Monarquia é proclamada no Porto e em Lisboa por juntas militares criadas meses antes. As forças monárquicas, facilmente dominadas no Sul, assumem o controlo do Norte.

13 de Fevereiro: As forças republicanas entram no Porto, derrubando o governo monárquico. Ricardo Reis, monárquico segundo a sua «biografia», exila-se no Brasil.

1 de Maio: Pessoa inicia a sua colaboração em Acção, um jornal sidonista criado pelo Núcleo de Acção Nacional e dirigido por Geraldo Coelho de Jesus.

Maio-Agosto(?): Muda-se para a Rua Capitão Renato Baptista, 3, r/c-esq.

14 de Junho: Morre, em Lisboa, a tia-avó Adelaide.

7 de Outubro: Morre, em Pretória, o comandante João Miguel Rosa.

Outubro-Novembro(?): Muda-se para a Av. Gomes Pereira, em Benfica.

Novembro: Pessoa conhece Ofélia Queiroz na firma Félix, Valladas & Freitas, Lda.


1920

30 de Janeiro: Publica o poema «Meantime», pertencente à obra The Mad Fiddler, em The Athenaeum, uma prestigiosa revista inglesa.

20 de Fevereiro: A mãe e os três meios-irmãos de Pessoa embarcam para Lisboa.

27 de Fevereiro: Publica, em Acção, o poema elegíaco «À Memória do Presidente Sidónio Pais».

1 de Março: Data da sua primeira carta a Ofélia Queiroz.

29 de Março: Muda-se para a Rua Coelho da Rocha, 16, 1.º-dto., onde residirá até morrer.

30 de Março: A mãe e os meios-irmãos de Pessoa desembarcam em Lisboa. Moram provisoriamente com o primo António Pinheiro Silvano, na Av. Casal Ribeiro, 35, instalando-se na Rua Coelho da Rocha em finais de Abril, depois de Pessoa ter tomado as previdências necessárias (ligações de água e electricidade, aquisição das mobílias necessárias, etc.).

Maio: Os meios-irmãos Luís e João partem para Inglaterra, onde estudarão na Universidade de Londres. Casam-se com inglesas mas não têm filhos. Luís morre em 1975, João em 1977.

29 de Novembro: Pessoa rompe o namoro com Ofélia, por carta.


1921

A firma Olisipo («Agentes, Organizadores e Editores») começa a funcionar, com escritório na Rua da Assunção, 58, 2.º. Pessoa planeara, durante dois anos, uma empresa grande e diversificada, dedicada à promoção da cultura e do comércio portugueses, especialmente no estrangeiro. A Olisipo, menos ambiciosa, funcionará por um lado como editora de livros e, por outro, como intermediária entre algumas minas portuguesas e investidores estrangeiros.

19 de Outubro: Uma revolta radical, em Lisboa, culmina na chamada «Noite Sangrenta» em que vários republicanos são assassinados.

Dezembro: Pessoa publica, pela Olisipo, os seus English Poems I-II (que incluem uma versão revista de Antinous e as Inscriptions) e English Poems III (Epithalamium) e, de Almada Negreiros, A Invenção do Dia Claro.


1922

Maio: Publica, no primeiro número da revista Contemporânea, «O Banqueiro Anarquista». A Olisipo reedita a obra Canções (a 1.ª ed. é de 1921) de António Botto, um poeta assumidamente homossexual.

Julho: Pessoa publica, na Contemporânea, «António Botto e o Ideal Estético em Portugal».

Outubro: Publica, na Contemporânea, «Mar Português» (conjunto de doze poemas, onze dos quais farão parte da Mensagem). No mesmo número da revista, Álvaro Maia publica «Literatura de Sodoma: O sr. Fernando Pessoa e o ideal estético em Portugal».

Novembro(?): É fundada, na Rua de S. Julião, 52, 1º, a firma F. N. Pessoa, que funcionará durante três anos. Os seus sócios prováveis, para além de Pessoa, chamavam-se Augusto Franco, Albano da Silva e Júlio Moura.


1923

Janeiro: Pessoa publica, na Contemporânea, três poemas em francês.

Fevereiro: Publica, na Contemporânea, «Lisbon Revisited (1923)», de Álvaro de Campos. A Olisipo publica o opúsculo Sodoma Divinizada de Raul Leal.

19 de Fevereiro: Pedro Teotónio Pereira (que deterá vários cargos no governo do Estado Novo) organiza a Liga de Acção dos Estudantes de Lisboa, que resolve fazer campanha, junto dos jornais e do governo civil, contra a «literatura de Sodoma».

Março (inícios): O governador civil de Lisboa ordena a apreensão de vários livros «imorais», entre os quais as Canções de António Botto e Sodoma Divinizada de Raul Leal.

6 de Março: A Liga de Acção dos Estudantes distribui um manifesto contra a «inversão da inteligência, da moral e da sensibilidade». Pessoa responde com Aviso por Causa da Moral, manifesto assinado por Álvaro de Campos e distribuído em folha volante.

Abril: Raul Leal publica outro panfleto, Uma Lição de Moral aos Estudantes de Lisboa e o Descaramento da Igreja Católica. A Liga dos Estudantes responde com um manifesto insultuoso. Pessoa, em defesa de Raul Leal, publica no seu próprio nome uma outra folha volante, Sobre um Manifesto de Estudantes.

21 de Julho: A irmã Henriqueta casa-se com Francisco Caetano Dias, oficial da Administração Militar. Vão viver para a Quinta dos Marechais, Alto da Boa Vista, Benfica, levando com eles a mãe de Pessoa (que precisa de cuidados especiais desde a trombose sofrida em Pretória). O tio Henrique Rosa, doente, também vai viver com eles. Pessoa passa a viver sozinho durante dois anos.


1924

Outubro: Ricardo Reis estreia-se publicamente com um conjunto de vinte odes, no primeiro número da Athena, revista concebida por Pessoa, que é seu director literário, sendo Rui Vaz o director artístico. O primeiro número também inclui colaborações de Almada Negreiros, António Botto e Henrique Rosa.

Dezembro: Publica, no segundo número da Athena (datado de Novembro), «Os Últimos Poemas de Mário de Sá-Carneiro» e «O que é a Metafísica», em que Álvaro de Campos discorda de Fernando Pessoa.


1925

Janeiro ou Fevereiro: Publica, no terceiro número da Athena (datado de Dezembro de 1924), 16 poemas de Pessoa-ortónimo e três poemas de Henrique Rosa.

8 de Fevereiro: Morre Henrique Rosa, irmão do padrasto, na Quinta dos Marechais, Benfica.

17 de Março: Morre a mãe de Fernando Pessoa na Quinta dos Marechais.

Março: Caeiro faz a sua estreia pública, com 23 poemas de O Guardador de Rebanhos, no quarto número da Athena (datado de Janeiro).

Junho: Publicam-se, no quinto número da Athena (datado de Fevereiro), 16 composições que fazem parte dos Poemas Inconjuntos, de Caeiro.

Agosto-Dezembro: Traduz A Letra Encarnada, de Nathaniel Hawthorne. Setembro ou

Outubro: A irmã Henriqueta e o marido deixam a Quinta dos Marechais, regressando à Rua Coelho da Rocha.

27 de Outubro: Apresenta um pedido de patente pela sua invenção de um «Anuário Sintético».

16 de Novembro: Nasce Manuela Nogueira Rosa Dias, sobrinha de Pessoa.


1926

1 de Janeiro: Inicia-se a publicação de A Letra Encarnada, em folhetins, na revista Ilustração. Como então era costume, o nome de Pessoa, o tradutor, não aparece.

25 de Janeiro: Sai o primeiro de seis números (todos de 1926) da Revista de Comércio e Contabilidade, dirigida pelo seu cunhado, Francisco Caetano Dias. Ele e Pessoa são os principais colaboradores.

30 de Abril: Morre, em Lisboa, a tia-avó Carolina.

28 de Maio: O general Gomes da Costa, herói da 1.ª Grande Guerra, inicia uma revolta militar que provoca, em apenas dois dias, a demissão do Governo. Gomes da Costa assume o controlo total através de um golpe de Estado, em 17 de Junho.

Junho: Pessoa publica, na Contemporânea, «Lisbon Revisited (1926)», de Álvaro de Campos.

9 de Julho: Um novo golpe de Estado, dirigido pelo general monárquico Sinel de Cordes, substitui Gomes da Costa pelo general Óscar Carmona. Cordes e Carmona governam, numa ditadura militar bastante repressiva, até 1928.

30 de Outubro: O diário Sol dá início à publicação, em folhetins, de O Caso da 5.ª Avenida [The Leavenworth Case: A Lawyer’s Story], da escritora norte-americana Anna Katherine Green. A tradução é de Pessoa, que chega a traduzir um terço deste romance policial, antes de o jornal suspender a sua publicação, em 1 de Dezembro de 1926.


1927

Fevereiro: Uma revolta republicana, no Porto e em Lisboa, é derrotada pelo regime.

4 de Junho: Com um poema ortónimo e o texto «Ambiente», subscrito por Álvaro de Campos, Pessoa inicia a sua intensa colaboração com a revista Presença, fundada em Coimbra três meses antes.

18 de Julho: Publica, na Presença, três odes de Ricardo Reis.

Novembro ou Dezembro: A irmã, o cunhado e a sobrinha de Pessoa mudam-se para Évora, onde vivem durante três anos.


1928

26 de Janeiro: Escreve a primeira carta a José Régio, o primeiro crítico a reparar — num livro de ensaios e nas páginas de Presença (de que era um dos directores fundadores) — na importância da obra pessoana para a história da literatura.

Março: Publica-se O Interregno: Defesa e Justificação da Ditadura Militar em Portugal, escrito por Pessoa a pedido do Núcleo de Acção Nacional, (numa nota biográfica de 1935, renegará O Interregno).

Abril: Formação de um novo governo, com António de Oliveira Salazar à frente das Finanças.

27 de Maio: Pessoa publica «Apostila», de Álvaro de Campos, em O Notícias Ilustrado, com o qual colaborará assiduamente nos dois anos seguintes.

Agosto: Surgem, num caderno, os primeiros trechos atribuídos a um fidalgo suicidário chamado Barão de Teive, provavelmente o último heterónimo criado por Pessoa.


1929

Publicam-se três fascículos de uma Antologia de Poemas Portugueses Modernos, organizada por Pessoa e António Botto. Este último publicará, em 1944, uma versão completa do livro, acrescentando-lhe alguns poemas da sua escolha pessoal.

22 de Março: Primeiro texto com data da última e mais intensa fase do Livro do Desassossego.

Abril-Junho(?): Sai, em A Revista (da Solução Editora), o primeiro de onze trechos do Livro do Desassossego publicados entre 1929 e 1932, depois de 16 anos sem notícias do livro. Todos os trechos agora publicados são assinados por Pessoa mas atribuídos a «Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa».

26 de Junho: Escreve a sua primeira carta a João Gaspar Simões, um dos directores da Presença, para lhe agradecer o livro Temas, onde aparece o primeiro estudo sobre a obra de Pessoa.

9 de Setembro: Ofélia Queiroz escreve a Pessoa para lhe agradecer a foto que este lhe enviara, a seu pedido, através do sobrinho Carlos Queiroz, poeta e amigo de Pessoa.

11 de Setembro: Pessoa responde à carta de Ofélia, iniciando, assim, a segunda fase do namoro.

10 de Outubro: Morre, em Tavira, a «tia» Lisbela.

4 de Dezembro: Numa carta à editora de Aleister Crowley, corrige o horóscopo deste último, publicado nas suas Confessions. Crowley responde de imediato, dando início a uma assídua correspondência entre os dois.


1930

11 de Janeiro: Escreve a sua última carta a Ofélia Queiroz, que continuará a escrever-lhe durante mais de um ano. Os dois ainda falam por telefone e encontram-se de vez em quando. Ofélia, que se casará mais tarde, morre em 1991.

13 de Junho: Escreve «Aniversário», publicado no número seguinte da Presença como tendo sido escrito por Álvaro de Campos, no seu último «aniversário»: 15 de Outubro de 1929.

23 de Julho: Escreve os dois últimos poemas datados, ambos de O Pastor Amoroso, de Alberto Caeiro.

2 de Setembro: Chega a Lisboa Aleister Crowley, acompanhado de uma namorada muito mais jovem, Hanni Jaeger.

23 de Setembro: Crowley, desgostoso por a sua namorada ter partido para Berlim, zangada com ele, encena o seu «suicídio» na Boca do Inferno. Pessoa e Augusto Ferreira Gomes colaboram na farsa.

5 de Outubro: O Notícias Ilustrado publica um «testemunho importante» de Pessoa sobre o caso Crowley.

Novembro(?): A irmã, que estava em Évora, regressa a Lisboa, com a família.


1931

1 de Janeiro: Nasce, em Lisboa, Luís Miguel Rosa Dias, sobrinho de Pessoa.

Fevereiro: Publica, na Presença, o oitavo poema de O Guardador de Rebanhos e cinco das Notas para a Recordação do meu Mestre Caeiro, de Álvaro de Campos.

Junho: Publica, na Presença, poemas dos seus três heterónimos e o ortónimo «O Andaime».

Dezembro: A Presença (número de Julho-Outubro) publica «Hino a Pã», um poema de Aleister Crowley traduzido por Pessoa.

1932

Publica-se Alma Errante, de Eliezer Kamenezky, com prefácio de Pessoa. A irmã de Pessoa e o marido constroem uma casa em S. João do Estoril, que será a morada principal da sua família. Quando vão a Lisboa, continuam a ficar com Pessoa na Rua Coelho da Rocha (a irmã, Henriqueta Madalena Rosa Dias, morre em 1992; o marido dela, Francisco Caetano Dias, em 1969).

23 de Março: Morte do primo Mário Nogueira de Freitas.

2 de Julho: Morre Dom Manuel II, exilado na Inglaterra, sem descendência.

5 de Julho: Salazar é nomeado Presidente do Conselho, tornando-se, na prática, ditador com plenos poderes.

16 de Setembro: Pessoa candidata-se, sem êxito, ao lugar de Conservador-Bibliotecário do Museu-Biblioteca Conde de Castro Guimarães, em Cascais.

Novembro: Publica, em Presença, «Autopsicografia» (poema escrito em 1 de Abril de 1931).

1933

Janeiro: Pierre Hourcade publica, em Cahiers du Sud (Marselha), cinco poemas de Pessoa traduzidos para francês e acompanhados de uma introdução.
19 de Março: É aprovada em plebiscito uma nova Constituição que institucionaliza o Estado Novo.

Março-Abril: Prepara, para uma edição da Presença, os Indícios de Ouro, uma colectânea inédita de poemas de Mário de Sá-Carneiro. O livro só será publicado pela Presença em 1937.

Abril: Publica, na Presença, o poema «Isto».

Julho: Publica, na Presença, o poema «Tabacaria», de Álvaro de Campos (escrito em 15 de Janeiro de 1928).

26 de Outubro: O Secretariado de Propaganda Nacional inicia as suas funções, sendo António Ferro o seu primeiro director.

1934

Maio: Pessoa publica o poema «Eros e Psique», a sua última colaboração na Presença.

11 de Julho: Começa a escrever uma grande quantidade de quadras que, quanto à forma (mas nem sempre quanto à temática), se podem chamar «populares». Escreverá, até Agosto de 1935, mais de 350 destas quadras.

1 de Dezembro: Sai Mensagem, único livro de poesia em português publicado por Pessoa. Alguns exemplares já tinham sido impressos em Outubro, para que o livro pudesse concorrer ao prémio Antero de Quental, criado pelo Secretariado de Propaganda Nacional. Não tendo o mínimo de cem páginas necessário para concorrer na primeira categoria, Mensagem ganhou o prémio destinado à segunda categoria.

1935

13 de Janeiro: Escreve, para Adolfo Casais Monteiro, a famosa carta sobre a génese dos heterónimos.

4 de Fevereiro: Publica, no Diário de Lisboa, um veemente artigo contra um projecto de lei, proposto em 15/1/1935, que visa suprimir as «associações secretas», nomeadamente a Ordem Maçónica.

21 de Fevereiro: Salazar, na entrega dos prémios literários do SPN (a que Pessoa, um dos galardoados, não assistiu), refere-se no seu discurso a «certas limitações» e a «algumas directrizes» que os «princípios morais e patrióticos» do Estado Novo «impõem à actividade mental e às produções da inteligência e sensibilidade».
16 de Março: Pessoa escreve «Liberdade», primeiro de vários poemas anti-Salazaristas.

5 de Abril: A Assembleia Nacional aprova, por unanimidade, a lei contra as «associações secretas».

21 de Outubro: Pessoa escreve «Todas as cartas de amor são /Ridículas», último poema datado de Álvaro de Campos.

13 de Novembro: Escreve «Vivem em nós inúmeros», último poema datado de Ricardo Reis.

19 de Novembro: Escreve «Há doenças piores que as doenças», o seu último poema português datado. O verso final reza assim: «Dá-me mais vinho, porque a vida é nada».

22 de Novembro: Escreve «The happy sun is shining», o seu último poema datado em inglês.

29 de Novembro: Na sequência de crises de febre e fortes dores abdominais, é internado no Hospital de S. Luís dos Franceses, onde escreve as suas últimas palavras: «I know not what tomorrow will bring».

30 de Novembro: Morre, por volta das vinte horas, em presença de Jaime de Andrade Neves, seu primo e médico.

2 de Dezembro: É enterrado no cemitério dos Prazeres, onde Luís de Montalvor, em nome dos sobreviventes do grupo do Orpheu, profere um breve discurso.